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    Novas Lendas - Doran de Escorpião

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    Novas Lendas - Doran de Escorpião

    Mensagem por Doran de Escorpião em Seg Out 02, 2017 3:08 pm

    CAP. 1- O Mistério dos Deuses



    O dia era mais quente do que o normal. Doran e Izabel sabem que choverá daqui a poucas horas no extremo noroeste do deserto, mas para chegar lá precisam atravessar uma região de salinas. O chão salgado do deserto refletia o sol e sugava a pouca água no corpo do jovem. Izabel, montada em seu camelo, em nada era afetada pelo clima hostil. O garoto sentia como se nunca fosse se acostumar com aquele lugar. No meio das salinas, encontram um buraco com raio pouco maior que meio metro cujo fundo nenhum dos dois consegue enxergar. Decidem jogar uma pedra para ver se ouvem o barulho dela se chocando com a água, mas não escutam nada.

    -- O que será que tem lá embaixo mestra?

    -- Nada que possamos alcançar, agora vamos. – Diz ela já caminhando com certa impaciência.

    -- Espere! Eu poderia tentar alcançar o fundo. Tenho certeza que encontraria muita água.

    -- Ou talvez encontrasse o fim dos seus dias numa escura e solitária caverna subterrânea sem saída.

    -- Só tem um jeito de saber não? – Diz ele se aproximando do buraco.

    -- Talvez o buraco leve para o submundo ou os Elíseos, talvez leve para o Tártaro ou o Olimpo, talvez, assim como a maioria dos buracos, para uma grande, úmida, vazia e inútil caverna. Não temos como saber. Há coisas que foram feitas para serem e permanecerem como mistérios Doran.

    -- Gaia sabe. Tudo é sua criação! – Fala apenas para implicar.

    -- Gaia? Ela não criou Tártaro, Eros, Caos ou seus filhos. Além disso, Gaia não é criação de Gaia.

    --Há coisas que não precisam ser criadas, elas só existem. – Diz já com dúvida sobre o que acaba de falar.

    -- Não acho que essa resposta satisfaça Gaia.

    -- Acha que ela tem dúvidas?

    -- O mundo de um príncipe é um mistério aos olhos de súditos, o mundo de um cavaleiro é um mistério aos olhos de príncipes, o mundo de um deus é um mistério aos olhos de cavaleiros, agora cabe perguntar, quais são os mistérios dos deuses?

    -- Eu não sei... Talvez ninguém saiba o que há lá em baixo, mas talvez eu possa descobrir. Volto logo mestra, só vou até onde consiga voltar.

    Doran pula no buraco carregando uma tocha e um pouco de coco de camelo seco. Ele usa os braços e pernas para descer lenta e cuidadosamente por alguns minutos.

    -- VOLTE AQUI SEU IMBECIL – Escuta a mestra gritar.

    O garoto nota que alguns pingos de água começam a cair. Ele tenta subir, mas as extremidades estavam muito escorregadias. Sem conseguir sequer manter-se no mesmo lugar, usa braços e pernas como freios quando começa a descer rápido de mais e solta de novo quando começa a parar; já não havia como voltar.

    O garoto ouve ao fundo a voz da mestra que logo deixa de alcançá-lo. Felizmente as paredes do buraco nem se estreitam, ao ponto de não conseguir passar, ou alargam, ao ponto de cair. Doran passa horas descendo; o silêncio e escuridão são absolutos. Imagens mais ou menos amorfas se formam em sua mente, como as de quando fechamos os olhos. Elas são as únicas coisas, alem do toque com as extremidades, que estimulam seus sentidos. Com o tempo, essas imagens amorfas tornam-se uma mulher magra e alta que caminha em sua direção. Quando ela o toca, o garoto perde aderência com a parede e cai quatro metros no chão sem se machucar. O chão é úmido e o ar tem cheiro grama. Está tão escuro quanto antes e único som é o eco de sua queda.

    Doran sente um cosmo.





    Última edição por Doran de Escorpião em Qui Out 05, 2017 11:17 pm, editado 2 vez(es)


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    Re: Novas Lendas - Doran de Escorpião

    Mensagem por MOD Sayuki de Benu em Ter Out 03, 2017 7:08 pm

    Avaliação: sem erros muito gritantes.


    +1 Nível adicionado ao personagem


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    Re: Novas Lendas - Doran de Escorpião

    Mensagem por Doran de Escorpião em Qui Out 05, 2017 3:23 pm

    Com o susto Doran rapidamente pega o estrume de camelo e a tocha tentando acende-la o mais rápido possível. A tocha estava úmida e parecia não querer acender. O cosmo se aproximava do garoto a cada segundo. – QUEM ESTÁ AÍ! – Grita o jovem. Não sabia dizer se era o cosmo forte ou fraco, era algo complemente diferente. Quando finalmente consegue acender a tocha, o cosmo some e, junto com ele, o cheiro da grama. Confuso, Doran começa a olhar em volta. Não vê ninguém.  Numa extremidade, o túnel não ter saída e, na outra, havia uma curva pouco a frente que o impedia de ver muito além. O garoto estava apavorado. Seja lá onde estivesse tinha certeza que morreria ali. Sabia que a tocha não duraria mais que alguns minutos e decide apagá-la por enquanto. Os corredores eram muito estreitos. Doran força o corpo entres eles; se não fosse ainda um adolescente, provavelmente não conseguiria passar.  A aflição de estar sob aquela completa escuridão num ambiente tão apertado é indescritível. Após alguns minutos arrastando corpo por entre as pedras o garoto sente novamente o frescor da grama e vê uma singela luz vinda logo à frente.

    Chegando lá o corredor se expande dando lugar a algo que parecia uma gruta. As luzes vinham de uma espécie fungos no teto que refletiam em pedras reluzentes de diversas cores criando um show de luzes. No centro havia um lago de água cristalina onde as luzes pareciam dançar. Em volta, um campo com a grama mais verde que já viu cobria todo o chão e dava cama para diversas flores; pareciam ser cada uma de espécies diferentes. Doran começa a imaginar se algum gás da caverna pudesse estar-lhe fazendo ver coisas. Vai até o lago e se abaixa para beber água, era doce e pura como de uma cachoeira. Nesse momento o garoto sente o mesmo cosmo que antes, atrás de si. Quando se vira, vê uma linda mulher de aparência madura, por volta dos 40 anos. Sua beleza estonteante tinha aspecto materno e sua presença era acolhedora. Ela era alta, seus cabelos e pele morenos, seus olhos pretos e vestia um longo vestido branco. Com o susto, o jovem cai de costas no lago. A mulher ri e diz:

    -- Veio sujar o ultimo lugar pelo qual zelo menino? – Diz brigando com certa gentileza.

    Doran está apenas com a cabeça pra fora d’água – Quem é você? – Diz tremendo de medo. A presença daquele ser parecia preencher e esmagar-lhe.

    -- Uma velha mãe cujos filhos a muito esqueceram. Seu povo me chamava Mithra. Era deusa da colheita, das águas e da justiça, guardiã da verdade e aquela que tudo vê.

    -- Ah sim. Ouvi falar um pouco da senhora, mas pouco resta daquele tempo. – Doran começa a acalmar-se, ela não parecia hostil.

    -- De fato, novos povos tomaram aquela terra e seus lideres não admitiam que eu existisse sequer nas memórias do seu povo. – O garoto nota tristeza nos seus olhos.

    -- E o que faz aqui?

    -- Este é o lugar onde me exilei. Meu pequeno e belo jardim.

    -- Nesse caso, desculpe invadi-lo desse jeito.

    -- Não tem problema – Ela sorri.

    Os dois sentam-se próximos na grama, conversam durante horas sobre a vida passada de Doran e as infinitas histórias que a deusa presenciou. Mithra faz frutas brotarem do chão para o garoto comer.

    -- Desculpe, acho que perdi a noção do tempo. Tenho que ir embora, minha mestra deve estar preocupada comigo. Sabe como posso sair?

    O rosto da mulher fica sério e hostil pela primeira vez. – Não há saída e, mesmo se houvesse, ninguém nunca mais vai me abandonar.


    Última edição por Doran de Escorpião em Qua Out 11, 2017 4:27 pm, editado 2 vez(es)


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    Re: Novas Lendas - Doran de Escorpião

    Mensagem por MOD Argeu de Pégaso em Qui Out 05, 2017 10:18 pm

    Gostei do estilo de narração, bem descritivo. Se pudesse diferenciar as falas da narração, como, por exemplo, usando negrito, itálico ou alguma cor diferente, ficaria melhor ainda.


    +1 Nivel


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    Re: Novas Lendas - Doran de Escorpião

    Mensagem por Doran de Escorpião em Qua Out 11, 2017 4:21 pm

    As folhas e flores do campo começam a perder a cor e murcharem, as luzes tornam-se avermelhadas e o lago escuro e fosco. Raízes saem do solo e prendem as pernas do garoto que, sem ter tempo de reagir, é puxado para dentro da terra, ficando apenas com a cabeça para foram.

    -- Por que está fazendo isso? – Indaga o garoto sem entender o porquê daquela mulher, que parecia tão doce, estar fazendo aquilo.

    -- Não há razão para ir embora minha criança nem há lugar nesse mundo decadente para você. Ninguém lhe espera fora daqui. Está seguro nesse jardim. Fique comigo, a salvo do mal que está por vir. – A cor da grama, das águas e das luzes voltam ao normal. Apesar de estar preso, as palavras da Deusa pareciam um pedido e soavam tão doces como antes.

    Doran sente as palavras da Deusa penetrar-lhe o coração e aquecer a alma. Pela primeira vez a dor da perda do irmão, a traição de Adil e a saudade de casa parecem ter sumido por completo. Sentia-se quase que num transe, alheio a quaisquer ambições, cansado da vida no deserto e livre de qualquer vinculo com o mundo lá fora.

    -- Talvez esteja certa... – Sussurra para si mesmo enquanto fita o chão.
    “VOLTE AQUI SEU IMBECIL” – Doran ouve o grito da mestra de quando o garoto caiu na fenda em sua mente, e sai do transe.

    -- Desculpe...
    – Ele levanta a cabeça olhando para a deusa com sincera compaixão. – Sei que a senhora deve se sentir sozinha e traída por seus filhos... – O cosmo do garoto começa a queimar – Mas tem alguém esperando por mim. – Ele sorri -- Eu não posso e não vou abandonar aquele mundo decadente. Ele é o único que tenho e se abandoná-lo só estarei abandonando a mim mesmo. – Doran ergue os braços arrancando as raízes e a terra que o prendiam. Pondo os braços sobre o solo o garoto impulsiona o corpo e salta para fora do buraco. – Meu irmão não perdeu a vida por mim para que engordasse e envelhecesse em um florido jardim. Me deu a chance de viver, de sofrer e de lutar. Não quis para mim uma vida de prazeres ou de angústias... Quis uma vida! Com tudo que nela acompanha e dela consiste. – Olha com hostilidade contra a Deusa – Agora me diga como sair daqui Mithra, ou desmorono esse lugar e transformo seu belo jardim numa bela cova para nós dois ficarmos juntos pra toda eternidade.

    A deusa ri com da presunção do garoto por um momento -- Eu cansei de você... – Diz olhando para o nada e sem expressão. Doran sente o cosmo da Deusa se elevar.

    Nesse momento o teto da gruta começa a desabar. A terra preenche todo o lugar rapidamente cobrindo todo o lago e já passando do joelho da Deusa e de Doran.

    -- QUE DROGA ESTÁ FAZENDO. – Diz sem saber o que fazer.

    A deusa passa todo o tempo com um sorriso cínico olhando para o jovem enquanto a terra cobre os dois até o pescoço e, logo após, a cabeça. Doran prende a respiração e tenta inutilmente cavar a úmida e dura em busca de ar. Após alguns segundos o garoto sente sua mão encostar numa areia mais fofa, embora ainda úmida. Logo depois o braço chega num vão sem terra. Usando aquele solo como apoio Doran puxa todo o corpo pra fora do solo. Olhando a sua frente vê que está no mesmo deserto de onde veio e sendo banhado pela maior chuva que já presenciou na vida. Um palmo a sua frente vê uma rosa vermelha sem espinhos solitária em meio ao deserto e a pega. O garoto sente a chuva lavar todo o corpo enlameado e, junto dele, sua alma. Nesse momento ouve uma voz familiar atrás de si.

    -- Garoto idiota? – Diz a mestra.


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    Re: Novas Lendas - Doran de Escorpião

    Mensagem por MOD Argeu de Pégaso em Sex Out 13, 2017 5:08 pm

    Novamente gostei da história. Não encontrei nenhum erro que merecesse um puxão de orelha kkk.

    +1 Nivel


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    Re: Novas Lendas - Doran de Escorpião

    Mensagem por Doran de Escorpião em Qui Out 19, 2017 3:40 pm


    Cap. 1 - Traição de sangue

    O garoto sonhava com um dia comum de caça. Estava no meio de uma floresta tentando encontrar a mira perfeita para acertar o coelho com sua flecha. O sonho é logo interrompido por uma luz dourada que se expande em sua mente. Era como se a luz do sol do amanhecer alcançasse-lhe o rosto.

    -- Acorde... -- Ouve uma singela e abafada voz feminina dizer com certo carinho materno.

    Acorda ainda um pouco desorientado. Vê que não havia luz do sol em seu quarto, apenas algumas velas no outro canto do cômodo e um pouco da luz da lua criam uma penumbra.

    -- Bom dia pequeno príncipe. – Apenas quando fala, nota o homem em pé ao lado da cama. Seu sorriso sádico salta pra fora da escuridão e denuncia sua presença. O homem inclina-se e desce o braço com uma adaga em mãos contra o peito de Doran. A lâmina da adaga refletia a pouca luz do quarto e iluminava o rosto do homem. Era um homem de meia idade com barba longa, negra e pele castigada pelo sol; reconhece-o como guarda de seu pai. Por reflexo, o corpo miúdo do garoto rola para o outro lado da cama e cai de joelhos no chão. O homem crava fundo a adaga no colchão e a retira lentamente. Não estava com pressa, queria de certa forma saborear aquele momento; não era todo dia que se matava um príncipe.

    -- O QUE ESTÁ FAZENDO??! – O garoto grita em desespero para o homem. Seu coração saltava contra o peito. – ALGUÉM?? SOCORRO!! – Quase que como continuação da frase anterior grita pedindo ajuda.

    O homem passa por cima da cama e caminha lentamente em direção ao garoto. A cada passo que da em sua direção, outro Doran da para traz. Não demora para o garoto ver-se encurralado contra a parede. O sorriso homem cresce.

    -- Seu pai foi morto menino, e todos seus irmãos já devem estar também nesse momento. Seu irmão, Adil, tomou o poder... E vai garantir que ninguém mais o tome.

    -- Está mentindo! – Mesmo dizendo isso o rosto de Doran enche-se de lágrimas e, o coração, de vazio. – Saia agora dos meus aposentos – Estava confuso, diz como se ainda achasse ter a autoridade de príncipe.

    Quando o homem já está a menos de dois metros, o garoto tenta escapar pela esquerda, mas ele segura-o pelo pescoço e ergue, pondo-lhe com o peito contra a parede. O homem levanta a adaga e, com o mesmo sorriso sádico, desce contra as costas de Doran.

    O garoto começa ver imagens de boas memórias que teve com seu pai e seus irmãos. Não eram muitas, mas era o que tinha... Se perguntou se estava sentido o que acontecia com aqueles à beira da morte. Lembrou de quando seu irmão mais velho, Adil, o levou para conhecer o deserto pela primeira vez e a perplexidade de ver todo aquele tapete dourado se estender tão longe no horizonte quanto o oceano. Tinha dificuldades em aceitar que aquele era o homem responsável por tudo aquilo. Começou a pensar em seus irmãos e irmãs passando por tudo que estava sofrendo. Como num estalo, volta para a realidade.

    Doran arregala os olhos quando ouve o som da adaga rasgando a carne e quebrando os ossos das costas até penetrar o coração; ele não sente nada.



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